Metadados Integrações Drag & Drop Wolkie · 2024

Organizar para
encontrar

Produtoras e emissoras tinham arquivos espalhados em vários lugares, categorias que não faziam sentido para o próprio negócio e nenhuma forma de criar visualizações dinâmicas do conteúdo. Um sistema que armazena mas não organiza não serve ao trabalho real.

Empresa Wolkie
Ano 2024
Meu papel Product Designer
Entregas Research · Benchmarking · Wireframes · Hi-fi · Handoff
Organizar para encontrar — Metadados e Integrações de Nuvem · Wolkie 2024
O insight central

O problema não era armazenamento. Era que o sistema organizava pela lógica dele — não pela lógica do negócio.

Uma emissora de TV categoriza conteúdo por data de veiculação e repórter responsável. Uma produtora corporativa categoriza por cliente e fase de aprovação. Uma produtora de entretenimento categoriza por episódio e personagem. Não existe um esquema de metadados que sirva para todos.

A raiz comum de dores diferentes

O affinity mapping revelou uma categoria de dor que aparecia em formas diferentes mas apontava para o mesmo lugar: organização de mídias. Alguns usuários não conseguiam encontrar o que precisavam. Outros tinham arquivos espalhados em múltiplos serviços. Outros ainda não conseguiam categorizar da forma que fazia sentido para o próprio negócio.

São reclamações diferentes com a mesma raiz: um sistema que armazena mas não organiza. Arquivos chegam, ficam disponíveis, mas não ficam encontráveis — não da forma que cada usuário precisaria.

Resolvi isso em duas frentes complementares: metadados customizáveis e integração com serviços de nuvem externos.

Organizar pela lógica do negócio

O problema com sistemas de categorização genéricos é que partem de uma premissa raramente verdadeira: que todos os usuários organizam da mesma forma. A solução foi inverter a lógica — em vez de o sistema definir como o usuário organiza, o usuário define os campos de acordo com as regras do próprio negócio.

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Fichas de Metadados
Templates de categorização para diferentes tipos de conteúdo — uma ficha para reportagens, outra para entrevistas, outra para arquivo. Cada uma com os campos que fazem sentido para aquele tipo específico.
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Campos Customizáveis
O vocabulário que o usuário define para o próprio negócio. Campo de texto livre, data, seleção múltipla — cada campo criado com as regras que aquela operação específica precisa.
🗂️
Coleções Dinâmicas
Visualizações criadas por regras e filtros combinados. O usuário define os critérios uma vez e salva como uma coleção que se atualiza automaticamente — proposta além do escopo original.

A interface de criação de fichas usa drag and drop — o usuário monta a ficha arrastando tipos de campo para a estrutura. Essa decisão veio do benchmark: sistemas como Notion e Airtable já haviam educado usuários para essa interação. Não havia razão para criar uma mecânica nova quando uma familiar já funcionava.

Frame.io V4 Beta — campos de metadados customizáveis com tipos variados
Iconik — configuração de campos de metadados com dropdown de opções

Coleções: de armazenamento a sistema de trabalho

Depois de mapear a solução de metadados, identifiquei uma oportunidade que não havia aparecido nas entrevistas — mas que o benchmark deixou clara.

Quando o usuário tem metadados ricos, ele não quer só encontrar um arquivo. Ele quer visualizar grupos de arquivos por critério. "Todos os materiais do projeto X que ainda estão em aprovação." "Todas as entrevistas gravadas em março." "Todo o conteúdo da campanha Y que ainda não foi publicado."

💡
Coleções — proposta fora do escopo original
A demanda dos usuários era por categorização. As Coleções eram uma camada acima — uma forma de consumir a categorização de forma ativa. Defendi a inclusão com base no que o benchmark mostrava: plataformas com visualizações dinâmicas têm engajamento consistentemente maior do que plataformas de armazenamento estático.

Reunir o que estava disperso

A segunda frente atacou um problema diferente, mas com a mesma lógica: o usuário não deveria precisar ir a lugares diferentes para reunir o que pertence ao mesmo trabalho. Produtoras e emissoras frequentemente usam Google Drive ou Dropbox como parte do fluxo de trabalho. Substituí-los não era opção. Integrá-los era.

Biblioteca com identificação de origem dos arquivos

Conexão inicial. O usuário seleciona o serviço e escolhe quais pastas sincronizar — não a conta inteira, só o que é relevante. Pedir permissão de acesso a uma conta inteira é invasivo; pedir para selecionar pastas específicas é preciso e gera mais confiança.

Monitoramento em tempo real. Status das sincronizações visível — quais arquivos estão sendo transferidos, a velocidade, o histórico. Diferença entre integração e importação: o usuário não importa uma vez e esquece, ele tem um canal contínuo.

Identificação de origem. Cada arquivo que chega via integração carrega o logo do serviço de origem no card da biblioteca. O usuário sabe de onde veio cada arquivo sem precisar investigar.

Modal de criação de coleção — seleção de origem das mídias
Lista de fichas de metadados com regras exibidas como tags

Implementado com bons feedbacks

As duas frentes foram implementadas. O feedback foi positivo — e de uma forma que confirmou a hipótese central: quando o sistema organiza da forma como o usuário pensa, encontrar o que se precisa deixa de ser trabalho.

"Nenhum dos dois é uma feature glamourosa. São features de infraestrutura — que não aparecem em campanha de marketing, mas são as que os usuários sentem falta quando não existem."

Fichas de Metadados — fluxo completo

Modal Nova Ficha de Metadados
Editor de ficha — empty state instrutivo com drag & drop
Ficha completa com campos organizados por seção
Aba Geral com preview ao vivo da ficha

Campos de Metadados

Campos de Metadados — lista com criação de novo campo dropdown
Campo Status com opções coloridas — Aprovado, Precisa Mudança, Em Progresso

Regras de aplicação automática

Modal Nova Regra com seleção de metadado e condição
Lista de regras criadas — Apenas arquivos João + Aplicar pasta Férias

Player integrado

Player de vídeo com painel de metadados lateral editável

O que funcionou. O que custou.

O que funcionou

Identificar e propor as Coleções além do escopo original foi a decisão mais impactante do projeto. Transformou uma feature de categorização num sistema de trabalho ativo — e foi aceita pela liderança com base em evidência de benchmark, não em preferência de design.

O que custou

As Coleções foram desenvolvidas com base em benchmark e princípio — sem validação direta com usuários da Wolkie antes do hi-fi. O que é intuitivo para quem usa Notion pode não ser para quem usa um sistema de broadcast. Alguns ajustes só apareceram depois do lançamento.

O que eu faria diferente

Testar as Coleções com usuários antes do hi-fi

Uma rodada de testes focada especificamente na mecânica de filtros e regras das Coleções — com usuários reais da Wolkie — teria revelado ajustes que só apareceram depois do lançamento. Hipótese validada por benchmark não é o mesmo que hipótese validada pelo usuário.

Mapear o modelo mental por segmento

A forma como uma emissora pensa em categorização é diferente da forma como uma produtora pensa. Teria conduzido entrevistas específicas sobre organização de arquivos por segmento — não apenas sobre dores gerais — para calibrar melhor os padrões de metadados propostos.

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