Redesign de Fluxo Benchmarking Testes de Usabilidade Wolkie · 2024

Compartilhar sem
perder o fio

Compartilhar mídia para revisão deveria ser uma das ações mais simples da plataforma. Era uma das mais frustrantes. Modal com múltiplas abas, gestão de links que exigia vários cliques para ações básicas, e um fluxo que refletia a lógica do sistema — não a do usuário.

Empresa Wolkie
Ano 2024
Meu papel Product Designer
Entregas Research · Benchmarking · Wireframes · Hi-fi · Ícones
Compartilhar sem perder o fio — Wolkie
O insight central

Criar um compartilhamento não é um processo. É uma ação.

A versão anterior dividia a criação em múltiplas abas — como se o usuário precisasse pensar em cada configuração separadamente. Mas o usuário não pensa assim. Ele quer compartilhar agora, com quem precisa, com as configurações certas. Tudo em uma sequência fluida.

Quatro pontos de atrito em uma ação só

O affinity mapping revelou que o fluxo de compartilhamento aparecia com frequência nas reclamações dos usuários. Não era um problema único — eram quatro problemas que aconteciam em sequência, transformando uma ação rotineira numa fonte consistente de frustração.

DOR 01
Área lateral confusa
A navegação lateral dificultava o acesso aos compartilhamentos existentes. Encontrar um compartilhamento específico exigia mais esforço do que deveria.
DOR 02
Gestão de links complicada
Copiar um link, ativar ou desativar o acesso, verificar se estava ativo — três ações básicas que exigiam navegação adicional e múltiplos cliques.
DOR 03
Criação em múltiplas abas
O modal de criação tinha várias abas — mídias, permissões, apresentação. O usuário precisava navegar entre elas para completar uma única ação, criando sensação de processo burocrático.
DOR 04
Manipulação de mídias difícil
Adicionar ou remover mídias de um compartilhamento existente era demorado. O usuário não conseguia ajustar facilmente o conteúdo de um compartilhamento sem recriar tudo.
Síntese das entrevistas com usuários — dores mapeadas

Affinity mapping com os principais achados das entrevistas — padrões de frustração que orientaram as decisões de redesign.

Duas plataformas, duas lições

Antes de propor qualquer solução, analisei como produtos que resolvem problemas similares abordam o compartilhamento. Google Drive e Frame.io eram os benchmarks mais relevantes — não por serem concorrentes diretos, mas por terem resolvido bem partes diferentes do mesmo problema.

Google Drive
Simplicidade na gestão
Copiar link, alterar permissões, verificar acesso — tudo visível e acessível sem navegação adicional. O princípio implícito: o usuário está no controle e o sistema não deve criar atrito entre ele e a ação que quer fazer.
Frame.io
Compartilhamento como espaço
Trata o compartilhamento não como um link, mas como um ambiente colaborativo configurável. A adição e remoção de mídias é fluida porque o modelo mental é o de um projeto — não de um arquivo isolado.

"A combinação dos dois benchmarks apontou para uma direção clara: simplificar radicalmente a criação enquanto tornava a gestão mais poderosa — sem aumentar a complexidade."

Destaques do benchmarking — Google Drive e Frame.io

Principais padrões identificados na análise competitiva que fundamentaram as decisões de design.

Modal único — de múltiplas abas para scroll vertical

A versão anterior tinha um modal com abas porque a lógica de separar categorias parecia reduzir sobrecarga cognitiva. O problema era que a divisão fragmentava uma decisão que o usuário experimenta como única.

Criar um compartilhamento não é "primeiro decido as mídias, depois as permissões, depois a apresentação". É uma ação só, que o usuário quer completar em uma sequência fluida de cima para baixo.

A decisão foi consolidar tudo em um modal único com scroll vertical. Sem abas, sem sensação de que há mais configurações escondidas em outro lugar. O usuário vê o formulário completo, preenche e envia.

Envio direto por e-mail foi adicionado dentro do próprio modal — eliminando o passo de copiar o link e colar num cliente de e-mail separado. Pequeno, mas remove uma interrupção real do fluxo.

Fluxo antigo de compartilhamento
Novo fluxo de compartilhamento

Fluxo antigo (esq.) vs. novo fluxo (dir.) — de 7 etapas fragmentadas para 3 passos sequenciais.

Ações visíveis, estado sempre claro

Além da criação, a gestão de links existentes foi redesenhada. As três ações mais comuns — copiar o link, ativar ou desativar o acesso, verificar o estado — passaram a ser visíveis de imediato, sem navegação adicional.

O estado do link é especialmente crítico: uma produtora que envia um link para um cliente espera que o cliente consiga acessar. Se o link estiver desativado por qualquer motivo, o cliente não abre e o primeiro chamado é para o suporte. Tornar o estado visível na primeira tela elimina boa parte desse problema na origem.

Wireframe — Modal único de criação de compartilhamento
Wireframe — Gestão de links com toggle e cópia rápida

Consistência visual no fluxo

Durante o redesign, ficou evidente que a falta de consistência visual na plataforma contribuía para a confusão — ícones com estilos diferentes conviviam na mesma interface. Criei um conjunto de novos ícones específico para o fluxo de compartilhamento.

Mesmo estilo, mesmo peso, mesma lógica de representação. Não foi um design system completo — foi uma solução local que estabeleceu um padrão consistente para as ações de compartilhamento.

Implementado. Clientes que notaram.

O novo fluxo foi implementado. O retorno foi positivo — e de uma forma específica: comentários sobre ações que haviam se tornado mais fáceis, não elogios genéricos à interface. Quando o feedback é sobre uma ação específica, é sinal de que o redesign chegou onde precisava.

Design final — tela de Compartilhados
Modal de compartilhamento — configurações e revisão de mídias
Modal de edição de compartilhamento com e-mails e reenvio

Tela de gestão de links (acima) e modais de criação e edição — todas as configurações visíveis numa única sequência.

Testes confirmaram as hipóteses

Realizei testes de usabilidade com 4 usuários cobrindo os principais fluxos: criar um compartilhamento, enviar por e-mail, editar, ativar/desativar e excluir. Os resultados validaram as decisões centrais — nenhum usuário teve dificuldade nas ações que antes eram fonte de frustração.

Resultado dos testes de usabilidade por fluxo

Resultados por tarefa — todos os fluxos críticos completados com sucesso pelos 4 participantes.

O que funcionou. O que custou.

O que funcionou

A decisão do modal único resolveu o principal ponto de frustração dos usuários. O benchmark foi a base do argumento — não intuição de design. Quando a decisão vem de evidência de mercado, é mais fácil de defender internamente e mais difícil de questionar depois.

O que custou

A inconsistência de ícones era um problema da plataforma inteira, não só desse fluxo. Ao resolver parcialmente, criei uma nova inconsistência: uma seção com ícones que parecem de um produto diferente das outras. O escopo foi pragmático — mas o resultado ideal seria um sistema de ícones global.

O que eu faria diferente

Expandir os ícones para toda a plataforma

Teria negociado escopo para resolver a inconsistência de ícones em toda a plataforma, não só no fluxo de compartilhamento. Solução local em problema global cria uma nova inconsistência que evidencia o problema em vez de resolvê-lo.

Testar mais cedo com usuários externos

Os testes de usabilidade foram feitos após os wireframes estarem avançados. Uma rodada de testes mais simples — até com protótipo em papel — nas hipóteses iniciais de fluxo teria reduzido o custo de ajustes posteriores.

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