Compartilhar mídia para revisão deveria ser uma das ações mais simples da plataforma. Era uma das mais frustrantes. Modal com múltiplas abas, gestão de links que exigia vários cliques para ações básicas, e um fluxo que refletia a lógica do sistema — não a do usuário.
A versão anterior dividia a criação em múltiplas abas — como se o usuário precisasse pensar em cada configuração separadamente. Mas o usuário não pensa assim. Ele quer compartilhar agora, com quem precisa, com as configurações certas. Tudo em uma sequência fluida.
O affinity mapping revelou que o fluxo de compartilhamento aparecia com frequência nas reclamações dos usuários. Não era um problema único — eram quatro problemas que aconteciam em sequência, transformando uma ação rotineira numa fonte consistente de frustração.
Affinity mapping com os principais achados das entrevistas — padrões de frustração que orientaram as decisões de redesign.
Antes de propor qualquer solução, analisei como produtos que resolvem problemas similares abordam o compartilhamento. Google Drive e Frame.io eram os benchmarks mais relevantes — não por serem concorrentes diretos, mas por terem resolvido bem partes diferentes do mesmo problema.
"A combinação dos dois benchmarks apontou para uma direção clara: simplificar radicalmente a criação enquanto tornava a gestão mais poderosa — sem aumentar a complexidade."
Principais padrões identificados na análise competitiva que fundamentaram as decisões de design.
A versão anterior tinha um modal com abas porque a lógica de separar categorias parecia reduzir sobrecarga cognitiva. O problema era que a divisão fragmentava uma decisão que o usuário experimenta como única.
Criar um compartilhamento não é "primeiro decido as mídias, depois as permissões, depois a apresentação". É uma ação só, que o usuário quer completar em uma sequência fluida de cima para baixo.
A decisão foi consolidar tudo em um modal único com scroll vertical. Sem abas, sem sensação de que há mais configurações escondidas em outro lugar. O usuário vê o formulário completo, preenche e envia.
Envio direto por e-mail foi adicionado dentro do próprio modal — eliminando o passo de copiar o link e colar num cliente de e-mail separado. Pequeno, mas remove uma interrupção real do fluxo.
Fluxo antigo (esq.) vs. novo fluxo (dir.) — de 7 etapas fragmentadas para 3 passos sequenciais.
Além da criação, a gestão de links existentes foi redesenhada. As três ações mais comuns — copiar o link, ativar ou desativar o acesso, verificar o estado — passaram a ser visíveis de imediato, sem navegação adicional.
O estado do link é especialmente crítico: uma produtora que envia um link para um cliente espera que o cliente consiga acessar. Se o link estiver desativado por qualquer motivo, o cliente não abre e o primeiro chamado é para o suporte. Tornar o estado visível na primeira tela elimina boa parte desse problema na origem.
Durante o redesign, ficou evidente que a falta de consistência visual na plataforma contribuía para a confusão — ícones com estilos diferentes conviviam na mesma interface. Criei um conjunto de novos ícones específico para o fluxo de compartilhamento.
Mesmo estilo, mesmo peso, mesma lógica de representação. Não foi um design system completo — foi uma solução local que estabeleceu um padrão consistente para as ações de compartilhamento.
O novo fluxo foi implementado. O retorno foi positivo — e de uma forma específica: comentários sobre ações que haviam se tornado mais fáceis, não elogios genéricos à interface. Quando o feedback é sobre uma ação específica, é sinal de que o redesign chegou onde precisava.
Tela de gestão de links (acima) e modais de criação e edição — todas as configurações visíveis numa única sequência.
Realizei testes de usabilidade com 4 usuários cobrindo os principais fluxos: criar um compartilhamento, enviar por e-mail, editar, ativar/desativar e excluir. Os resultados validaram as decisões centrais — nenhum usuário teve dificuldade nas ações que antes eram fonte de frustração.
Resultados por tarefa — todos os fluxos críticos completados com sucesso pelos 4 participantes.
A decisão do modal único resolveu o principal ponto de frustração dos usuários. O benchmark foi a base do argumento — não intuição de design. Quando a decisão vem de evidência de mercado, é mais fácil de defender internamente e mais difícil de questionar depois.
A inconsistência de ícones era um problema da plataforma inteira, não só desse fluxo. Ao resolver parcialmente, criei uma nova inconsistência: uma seção com ícones que parecem de um produto diferente das outras. O escopo foi pragmático — mas o resultado ideal seria um sistema de ícones global.
Teria negociado escopo para resolver a inconsistência de ícones em toda a plataforma, não só no fluxo de compartilhamento. Solução local em problema global cria uma nova inconsistência que evidencia o problema em vez de resolvê-lo.
Os testes de usabilidade foram feitos após os wireframes estarem avançados. Uma rodada de testes mais simples — até com protótipo em papel — nas hipóteses iniciais de fluxo teria reduzido o custo de ajustes posteriores.