A página de revisão funcionava. O problema era que parecia de outra empresa. Quando uma produtora enviava o link para o cliente, o cliente abria uma página que não tinha nada da identidade de quem havia enviado. Redesenhei o fluxo e propus uma feature de branding que não estava no brief.
Nenhum usuário pediu "quero colocar minha marca na página de revisão". O que apareceu nas entrevistas foi a dor — a percepção de desprofissionalismo quando o cliente abria uma página sem contexto de quem havia enviado aquele link. A hipótese foi minha.
O affinity mapping que conduzi ao chegar na Wolkie revelou que a página de revisão aparecia com frequência nas reclamações — mas não da forma que eu esperava. A página funcionava. O fluxo básico existia. O problema era de identidade e clareza, e esses dois problemas se reforçavam mutuamente.
Resolver só um dos dois não resolveria nenhum deles. Um fluxo mais claro numa página genérica continuaria parecendo improvisado para o cliente final. Uma página com a marca da produtora mas com fluxo confuso continuaria frustrando o revisor. Os dois precisavam ser redesenhados juntos.
Entrevistei cinco usuários que utilizavam a página de revisão regularmente. O objetivo era entender não só o que estava quebrando, mas como eles experienciavam o processo — o que sentiam ao enviar o link para um cliente, o que o cliente costumava perguntar de volta, onde o processo travava com mais frequência.
A dor que emergiu com mais força foi a da identidade ausente. Produtoras relatavam que clientes frequentemente perguntavam "o que é essa Wolkie?" ao receber o link — uma fricção que não deveria existir numa relação profissional onde a produtora deveria ser o ponto focal.
"O cliente perguntou o que era a Wolkie. Tive que explicar que era a plataforma que eu uso para compartilhar. Parece que não tenho minha própria ferramenta."
Affinity mapping com os achados das entrevistas (esq.) e sessão de teste de usabilidade com protótipo mobile (dir.)
O redesign do fluxo de revisão estava no escopo. A feature de branding não estava.
Identificar a oportunidade durante as entrevistas foi o primeiro passo. Defender a inclusão foi o segundo. A hipótese era simples: se a produtora pudesse personalizar a página com sua identidade visual, ela deixaria de ser uma ferramenta de terceiro e passaria a ser uma extensão do serviço dela.
Essa distinção importa. Uma feature que resolve dor declarada e uma feature que resolve dor identificada têm ciclos de validação diferentes. A dor aqui era real — a hipótese era minha sobre a solução.
Em cada momento da revisão, o usuário precisa saber três coisas: onde está no processo, o que pode fazer agora e o que acontece depois. A versão anterior não respondia essas perguntas — os elementos existiam, mas sua hierarquia não priorizava a informação certa no momento certo.
Hierarquia de estado visível. O status da revisão — em andamento, aguardando aprovação, aprovado — passou a ser o elemento mais proeminente. Primeiro elemento que o usuário vê ao abrir a página.
Ações contextuais. Comentar, aprovar, solicitar revisão aparecem associados ao conteúdo que está sendo revisado, não numa barra de ferramentas genérica que o usuário precisa procurar.
Feedback de confirmação. Quando o usuário toma uma ação, o sistema confirma de forma clara. A versão anterior deixava o revisor inseguro sobre se sua ação havia sido registrada.
A interface de configuração de branding foi projetada com um princípio específico: qualquer pessoa deve conseguir aplicar a identidade visual da empresa sem precisar de ajuda técnica. Logo, banner, cores, links de redes sociais, descrição — tudo configurável de forma intuitiva.
Preview em tempo real durante a configuração — web (acima) e mobile. À direita, o resultado com a identidade visual da produtora já aplicada.
Preview em tempo real de como a página ficará para o cliente. Campos com exemplos claros do que colocar em cada área. Hierarquia de elementos que segue a ordem de importância visual — logo primeiro, banner depois, informações de contato por último.
O objetivo não era só estética. Era posicionamento. Uma página de revisão com a identidade da produtora comunica ao cliente que está trabalhando com uma empresa profissional que controla sua experiência do início ao fim.
Desenvolvi protótipos em alta fidelidade para web e mobile, com foco especial na experiência mobile — onde parte significativa das revisões acontece. Os testes de usabilidade revelaram onde as hipóteses de design não haviam sobrevivido ao contato com usuários reais.
Rótulos que não eram suficientemente descritivos, ações que não estavam visíveis no scroll inicial da página mobile, a hierarquia da seção de branding que não deixava óbvio por onde começar. Cada achado gerou uma iteração. O handoff foi feito com a versão já ajustada.
Resultado do teste de usabilidade via Maze: score 81, 8 respostas, 10 blocos testados no fluxo de revisão.
O redesign e a feature de branding foram implementados. O retorno dos clientes foi positivo — e de uma forma específica que confirmou a hipótese original. As produtoras passaram a ter mais confiança ao compartilhar o link de revisão. A página deixou de ser um constrangimento e passou a ser um argumento de venda.
"Isso é o que uma hipótese bem formulada parece quando se confirma: o problema que o usuário tinha não era exatamente o que ele descrevia, mas a solução endereçou a dor real que estava por baixo."
Identificar a oportunidade de branding antes que qualquer usuário a pedisse explicitamente. O affinity mapping revelou a dor. A hipótese traduziu essa dor numa feature que resolveu um problema de negócio real além do problema de usabilidade.
A hipótese de branding foi desenvolvida sem validação prévia com usuários. Fui direto do insight do affinity map para a feature completa. Funcionou — mas a confiança no resultado seria maior com uma etapa de validação da hipótese antes de comprometer tempo de design.
Apresentaria um protótipo simples da ideia de branding para alguns usuários antes de comprometer tempo de design na feature inteira — apenas para verificar se a dor que identifiquei era real e se a solução proposta fazia sentido para eles.
Quantas produtoras configuraram o branding após o lançamento? Em quanto tempo? Essas métricas de adoção diriam se a hipótese confirmou na escala real de uso — não só no feedback qualitativo de clientes que responderam positivamente.