Entrei na Wolkie e fui direto para os usuários — sem esperar brief. O affinity mapping revelou que uploads travavam, falhas apareciam tarde demais e ninguém sabia o que estava acontecendo enquanto o processo rodava. Em produtoras com prazo de veiculação, isso não era inconveniência. Era crise.
Quando um upload falhava silenciosamente, o usuário descobria tarde — às vezes quando o arquivo já deveria estar disponível para alguém da equipe e não estava. O custo de uma falha não detectada era muito maior do que o custo da falha em si.
Quando entrei na Wolkie, não havia um brief esperando por mim. Havia reclamações. Produtoras de vídeo e emissoras de TV reportavam problemas com o processo de envio de arquivos para a nuvem — uploads que travavam sem aviso, falhas que o usuário só descobria horas depois, nenhuma visibilidade do que estava acontecendo.
Meu primeiro movimento foi ir para os usuários antes de abrir o Figma. Conduzi entrevistas e construí um affinity map — agrupando falas, comportamentos e frustrações por tema.
Três categorias de dor dominavam o mapa: falta de visibilidade do processo, descoberta tardia de falhas, e processo de upload fragmentado que acumulava fricção a cada arquivo.
Com o problema mapeado, analisei como outros produtos resolviam o upload de grandes volumes de arquivo. O Dropbox foi o ponto de partida — não por ser concorrente direto, mas por ter resolvido bem um problema similar.
Análise do Dropbox — benchmarking do mecanismo de pasta monitorada
Matriz Funcionalidades × Dores — correlação entre dores e soluções propostas
O mecanismo que me chamou atenção foi a pasta monitorada: em vez de um botão de upload que o usuário precisa lembrar de clicar, um sistema que monitora uma pasta e sincroniza automaticamente o que entra nela. Essa foi minha decisão — resultado direto do benchmark.
Desenvolvi a jornada completa do usuário para visualizar cada etapa do processo — do download do instalador até o monitoramento contínuo e a resolução de problemas.
Jornada completa: Download → Instalação → Configuração → Upload → Gestão → Configurações adicionais
O usuário do Wolkie Transfer não é um profissional de TI. Ele quer saber se o arquivo chegou — não entender como a sincronização funciona. Esse princípio guiou cada decisão de interface.
Interface principal com abas Atividades, Histórico e Problemas
Barra de tarefas — menu de ações rápidas e acesso ao histórico
Configurações de sincronização — seleção de pasta e modos
Preferências gerais — Conta, Geral e Proxies
O teste não foi só para validar — foi para encontrar o que eu havia errado. E encontrou. Uma parte relevante dos usuários teve dificuldade em localizar o painel de configurações pela barra de tarefas. A solução foi introduzir esse contexto nos tutoriais da instalação.
O Wolkie Transfer foi lançado e quase todos os clientes da plataforma passaram a usar a ferramenta. Adoção voluntária em produto B2B com profissionais de rotinas estabelecidas.
Estado vazio — aba Histórico com feedback claro e indicador de armazenamento
Aba Atividades — uploads em andamento com nome, progresso e velocidade
Preferências — conta, workspace e espaço de armazenamento contratado
Painel de ajuda — tutoriais em vídeo integrados ao produto
A pasta monitorada foi o mecanismo que tornou a alta adoção possível. Não há atrito de aprendizado porque não há comportamento novo a aprender. O usuário continua salvando arquivos onde sempre salvou — o sistema cuida do resto.
Não há um número comparativo de impacto — quantas falhas existiam antes, quanto tempo era perdido. Esses dados existiam em algum lugar da empresa e poderiam ter sido coletados antes do projeto para medir o impacto real depois.
Teria medido o impacto antes e depois com mais precisão. Sabemos que a adoção foi alta. Mas não temos um número comparativo — quantas falhas de upload existiam antes, quanto tempo era perdido em gestão manual, quantos chamados de suporte eram relacionados a uploads problemáticos. Com esses dados, a narrativa do projeto seria mais poderosa e as prioridades de desenvolvimento mais claras.
Teria também rodado o teste Maze mais cedo. O score 81 é bom — mas o problema encontrado com o ícone da barra de tarefas poderia ter surgido num teste simples de wireframe antes do hi-fi estar pronto, reduzindo o custo de ajuste.