Substituí múltiplos gateways por Open Finance + Pix. O desafio não era técnico — era comunicar o limite de R$500/dia no momento certo: antes da escolha do método, não depois do cadastro.
Um usuário que descobre uma limitação depois de ter passado por um fluxo de verificação sente que foi enganado. A transparência no momento certo não é só ética — é estratégia de conversão. Usuário que sabe o que vai encontrar não abandona no meio do caminho.
A tela de depósito original oferecia múltiplos gateways de pagamento — cada um com sua própria interface, seus próprios requisitos e seu próprio fluxo de erros. Para o usuário, a escolha entre opções que ele não entendia bem criava paralisia. Para o time, a manutenção de múltiplos fluxos simultâneos criava débito técnico e inconsistência de experiência.
A decisão de negócio foi consolidar em dois métodos: Open Finance (integração bancária direta) e Pix (pagamento instantâneo). A decisão de design foi comunicar essa consolidação de um jeito que não escondesse as diferenças entre os dois — especialmente o limite diário de R$500 do Open Finance.
Essa restrição não existia no Pix. Comunicar de forma vaga ou tardia criaria expectativas erradas e abandono no pior momento — depois que o usuário já havia iniciado o fluxo de verificação bancária, investido tempo e atenção, e só então descobrido que não conseguia depositar o valor que queria.
O trabalho começou mapeando dois momentos distintos no fluxo e o impacto de comunicar o limite em cada um deles.
Antes da escolha do método: o usuário vê as opções com suas características claras — incluindo o limite. Pode escolher conscientemente. Se o Pix atende melhor sua necessidade, ele escolhe Pix. Sem surpresa, sem abandono tardio. O usuário que continua com Open Finance sabe exatamente o que está escolhendo.
Depois da escolha: o usuário já iniciou o fluxo de Open Finance, passou pela autenticação bancária, e só então descobre o limite. A frustração não é só com a limitação — é com a sensação de ter investido tempo num processo que não atendia sua necessidade desde o início. Abandono nesse ponto é pior do que abandono no início: o usuário sai frustrado, não apenas indiferente.
A conclusão era direta: o limite precisava ser visível na tela de seleção de método, antes de qualquer clique.
A tela de seleção de método foi projetada com hierarquia clara: cada método é um card com identidade própria — logo, nome, descrição curta e, no caso do Open Finance, o badge de limite visível desde o primeiro momento.
O badge "Até R$500/dia" não é uma nota de rodapé. É um elemento de destaque no card — presente e legível antes de qualquer clique. A intenção é que o usuário que precisa depositar acima desse valor veja a informação e escolha Pix sem nem iniciar o fluxo de Open Finance. Eliminar essa jornada é melhor do que deixar ela acontecer e terminar em frustração.
A hierarquia dos elementos no card de Open Finance foi deliberada: a integração bancária como benefício principal, o processo seguro e direto como argumento secundário, e o limite como característica — não como penalidade. A ordem importa: o usuário encontra o valor primeiro, a restrição depois. Quando a restrição aparece já contextualizada pelo valor, ela é processada como informação, não como obstáculo.
Além da tela de seleção, o fluxo completo de Open Finance foi redesenhado em quatro etapas com feedback explícito em cada transição.
A validação do valor na etapa 03 foi uma decisão importante: em vez de deixar o usuário tentar processar e receber um erro, o sistema sinaliza o excesso antes do envio. Pequeno do ponto de vista técnico — significativo do ponto de vista de experiência.
A proposta passou por revisão com o PO e o time de front-end antes de ir para o desenvolvimento. As perguntas não eram sobre o design — eram sobre o fluxo de autenticação do Open Finance, que envolvia redirecionamento para o ambiente bancário e retorno para a plataforma.
O fluxo de retorno após a autenticação bancária era o ponto mais sensível: se o usuário demorasse, fechasse o app do banco ou perdesse conexão, o que ele veria ao voltar? Esse estado intermediário não havia sido contemplado na proposta inicial. A conversa com o front-end revelou o gap e o fluxo foi complementado com um estado de "aguardando confirmação do banco" — com tempo estimado e opção de verificar novamente.
Comunicar o limite antes da escolha elimina o abandono tardio — o pior tipo, porque deixa o usuário frustrado. A consolidação em dois métodos reduziu complexidade de manutenção e inconsistência de experiência. O badge de limite visível é um dos elementos mais simples e mais impactantes do redesign.
Usuários que depositavam valores maiores pelo método anterior perderam essa opção. O impacto para esse segmento não foi medido antes da implementação — e deveria ter sido. Uma decisão de consolidação de fluxo precisa começar pelo entendimento de quem usa o que, e quanto.
Mediria o volume de depósitos acima do limite antes de tomar a decisão.
Antes de comunicar o limite como feature do card, levantaria quantos usuários depositavam acima de R$500/dia pelo método anterior. Se fosse uma parcela significativa, a solução de comunicação precisaria de um caminho alternativo mais explícito — não só o badge, mas uma indicação clara de que Pix não tem esse limite, colocada em proximidade direta com o limite do Open Finance.
Testaria também o badge com usuários reais. O badge "Até R$500/dia" era legível na tela. Mas será que usuários liam antes de clicar? Um teste de eye-tracking ou de clique no protótipo revelaria se o badge estava sendo processado como informação ou ignorado como detalhe visual. Uma hipótese que ficou sem validação — e que, se o badge não estava sendo lido, tornava toda a estratégia de comunicação transparente ineficaz.